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Como tudo começou

Atualizado: 13 de dez. de 2022


Inicio este blog curiosamente no dia mundial do livro com um texto sobre a nossa história. Nos anos oitenta, os meus pais mudaram-se da Inglaterra para Portugal, mais propriamente para a vila da Ericeira para darem inicio a um pequeno snack-bar com o nome - Lancastrian, homenageando a cidade inglesa que deixaram. Era uma pequena loja onde se vendiam vários tipos de sandes, torradas, bolos e os pasteis de nata que a minha mãe fazia. Pelos vistos eram famosos, pois ainda hoje há pessoas que se lembram como eram. Eu só me lembro de rapar o tacho onde restava um pouco do saboroso creme que recheava o pastel. Lembro-me também de brincar com as chávenas de café no lava-loiça da loja.


Mais tarde transformou-se em papelaria, com revistas e muitos jornais internacionais. Eram tantos jornais que até tínhamos que arranjar um espaço à parte para separá-los todos para fazer as sobras. Chegou a estar à venda o jornal O Século e também o Diário Popular, como se pode ver numa das fotografias.

Um dos primeiros trabalhos que eu fazia para ajudar os meus pais era de tomar conta dos postais de vista que estavam no exterior da loja. Foi feita uma portinhola na montra da loja para ser possível fazer a venda aos passantes de rua. Com isto chegava a formar-se uma fila enorme que quase ia dar ao largo principal. Enquanto eu tomava conta dos postais cá fora, tinha outra tarefa de responsabilidade. Eu ia ter com as pessoas que estavam no fim da fila e informava-as que podiam entrar na loja, pois esta estava livre. Alguns clientes perguntavam: "Mas essa loja é a mesma ou é outra?". A menina que está sentada em frente à montra numa das fotos é a minha irmã que também ajudava na loja aos fins-de-semana.


Surgiu depois uma oportunidade para passar para outra loja maior com o mesmo negócio, não muito longe dali, onde se deu o nome Tabacaria Bambi. Eu estava mesmo a acabar os meus estudos e então decidi ajudar os meus pais no novo negócio de calçado. A antiga papelaria Lancastrian transformou-se na Sapataria Golfinho.


Passados vinte anos, o prédio onde se situava a sapataria foi vendido. Fiquei uns tempos a trabalhar em part-time na Tabacaria Bambi e também num estúdio de fotografia que abri. Com o aparecimento da pandemia fiz uma decisão radical e desisti do meu sonho de ser fotógrafo profissional e aproveitar a existência de uma loja que era propriedade dos meus pais para reestruturar e modernizar a papelaria/tabacaria que tínhamos. Decidi dar o nome Doca de Letras, pois como todos os dias chegam novidades para ler, e como o local é perto do mar...

E assim concluo o resumo destes capítulos da nossa história, que vão sendo "escritos" a cada dia que passa.

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